segunda-feira, 23 de maio de 2011

O MUNDO ESTÁ LOUCO (ou sou eu quem estou?)



Donas de casa enfeitam suas salas com lírios de plástico e esquecem de aguar as margaridas no jardim, amizades são tão descartáveis como copos, que são jogados no lixo depois da festa. Amores, que outrora eram eternos são deixados escorrer pelo ralo ou fritar, junto ao bife, numa panela quente. Cartas de amor e poemas são amassados e jogados num cesto com papéis sujos de merda.

Filhos matam seus pais por dinheiro, pais matam seus filhos por ciúmes, mulheres enganam seus maridos e usam botas longas e saias curtas na calada da noite. Um jogo de futebol já não é mais um divertimento saudável, mães nutricionistas entopem os filhos de fast food, homossexuais são esquartejados porque escolheram ser felizes.

Um negro é barrado na porta da boate enquanto a loira gostosa recebe um Mojito de graça. Os valores se distorceram, como os professores se distorcem para ganhar o suficiente pra sustentar seus filhos. Bom mesmo é ser mau caráter. Mais vale um bandido rico do que trabalhador pobre. Mais vale dinheiro no bolso do que decência. Mais vale ter do que ser. Mais vale ser ouvido do que ouvir. Mais vale julgar do que saber. Mais vale matar do que morrer.

Jovens que têm inúmeros caminhos belos a escolher, optam pelos mais perigosos. Pais de família, na busca desenfreada pelo poder, atropelam quem vem pela frente. Filhos se envergonham do pai presidiário porque sonhavam em ter um pai herói. Esses mesmos filhos, decepcionados, acabam virando a decepção dos seus filhos. Em seus quartos, as pessoas já não choram as dores dos outros. Os que muito tem, não dividem. Os amigos já não se ajudam, as tristezas alheias já não comovem.

Crianças são jogadas de janelas, ofensas são bradadas à luz do dia, obras de arte são roubadas de seus criadores, animais viram casaco de mulher rica, cachorros são chutados porque latiram, testemunhas são mortas porque falaram. As pessoas não agradecem um favor, as igrejas estão cheias de mercenários do louvor. O mundo tá muito louco. Ou sou eu quem tô?