sábado, 28 de agosto de 2010

Para Alice


Ela é amor fecundo
É quem me entende
É minha metade
Perdida pelo mundo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Eu voltarei



Não chora não
Um dia eu volto
Olhei ao redor
E vi na parede, sua foto

Lembrei dos velhos tempos
Que ficaram para trás
Eu voltarei
Mesmo tendo prometido não regressar jamais

Olhei-me no espelho
E me achei estranha
Eu fiquei tão diferente
Sem tua manha

Sinto no peito
Uma fraqueza medonha
E a falta do teu colo
Sempre me acompanha

Eu voltarei
Não se preocupe
Estou falando isso
Mas nem sei se você quer

Acredite, meu amor
Minha decisão é pra ti, voltar
Acredite, minha pequena
Eu estou por retornar

Não chora não
O que é da gente não se perde
O que é da gente não se vai
Nada é em vão

Eu voltarei
Um dia eu volto
Prepara minha cama fresca
Que eu amorno

Pode a chuva chegar
Uma bala de canhão
Me atingir sem permissão
Pode o inverno vir

Mas mesmo assim
Eu voltarei
Nada me contém
Ao teu amor serei refém

Hoje estou longe
Mas amanhã é outra história
Sei que voltarei
Será meu dia de glória

Hoje estou longe
Mas vejo a cor do teu olhar
Hoje não vou te ver
Mas nosso dia chegará

Não se aborreça
Eu estou a 10 mil pés
Mas não
Te tiro da cabeça

Não se esqueça
O que é da gente não se perde
O que é da gente não nos trai
Não esqueça

Eu não te tiro da cabeça

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sem Cecília


Foi o fim
Aquela foi a última vez
Mas ela ficou em mim

Quando vi já estava assim
Eu estava perdido
Sem Cecília a junto a mim

Meu peito estava tomado
Pelo amor
Que Cecília havia deixado

Deixei tudo para trás
Por ninguém fui tão fugaz
E Cecília me mandou seguir em paz

Nem precisa dizer nada
Tanto fez
Tanto faz

O que me sensibiliza
É viver por Cecília
Quando Cecília não sabe nem mais quem sou

Cecília está em todo lugar
Ouço ao longe o seu som soar
Sigo correndo, a tentando encontrar

Não sei mais onde ela vive
Eu vivo no mundo tão triste
Em pensar que a perdi no outro dia que a tive

Para Cecília, faço canções
Faço poemas, sonetos
E muito mais

É tão pouco apenas escrever
Eu queria lhe presentear com uma estrela
E dentro dela, a acender

Minha Cecília me fez bem demais
Em pensamentos
Até hoje, Cecília, paz, me traz

Para mim e para o mundo
Nem tão raso
Nem tão fundo

Cadê Cecília?
Por onde anda?
Cadê o cantar que o mundo encanta?

Para Cecília, faço canções
Faço poemas, sonetos
E muito mais

Nem precisa dizer nada
Pra quem tanto fez
Agora tanto faz

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cordas invisíveis



No sobreiro
De um prédio abandonado
Vive um homem
Com sua velha viola sem cordas

Acordam
Os calhordas
Nas praças
E nas obras

Pede uma moeda
E é tratado com desprezo
Por quase todos
Quase

Em sua vida
Cada fase
Foi um atraso
E sua base se destruiu

O talentoso violeiro
Que transformava
Sons em sonho
Caiu em desespero e desistiu

Nunca mais o mundo ouviu
Melodias tão lindas
Como aquele homem
Esculpiu

É triste o mundo novo
Todos querem o violeiro de novo
Eles querem sentimentos audíveis
Todos os amores possíveis

Acordes imaginários
Não dão sustento
Viola de cordas invisíveis
Pro violeiro é um tormento

Um dia ao dar-lhe um tostão
Fiz um pedido ao velho homem
Murmurei em seu ouvido
Que tocasse uma última canção

Coloquei cordas pra ele
E ele então sorriu
O mundo tentou impedir
Mas o som da viola do violeiro não sumiu

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Escandalosa

Maravilhosa
Dançando nua
Na sala da casa

Apetitosa
Tem gosto
De fruta fresca, de amora...

Uma saia jeans
Bem curta
E uma torturante blusa rosa

Venenosa
No teu veneno
Eu posso morrer

Sinuosa
Em suas curvas
Vou me perder

Perigosa
Laçou meu pescoço
E prendeu minhas pernas

Dolorosa
Me mordeu
E deixou marcas em minhas costas

Calorosa
Em teu corpo
Eu viro chama

Capciosa
Você não
Me engana

Gasosa
Sinto as bolhinhas
Na ponta do nariz

Gelatinosa
Afinal,
És feita de que?

Majestosa
Vi uma rainha
Em seu palácio

Acordei
Com gosto
De mel na boca

Maliciosa
Teu corpo
Arde

Luxuosa
És puro
Charme

Escandalosa
Vem
E me invade

domingo, 1 de agosto de 2010

Liberdade


Chegando na Rua da Saudade
Parei em uma porta e perguntei:
- É aqui que mora a Liberdade?

Me deram a triste notícia
Que a Liberdade havia morrido
E que dela, restou apenas a saudade

Fiquei sem entender
Como aquela mulher, que eu pensei ser eterna
Foi deixar se abater pela dor ou pela idade

Eu voltei a perguntar:
- Tem certeza que foi a Liberdade que morreu?
- Tenho sim, meu bom rapaz. Ela, por não ter uso, faleceu

Meu Deus! Pensei eu
O que farei da minha vida
Sem aquela mulher?

Santo Deus! Eu pensei
Sem a Liberdade
Eu também morrerei

Foi na Rua da Saudade
Onde a Liberdade
Me deixou

Foi beirando a insanidade
Que o mundo inteiro ficou