quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Não é

Não é letra o que escreve o poeta.
Não é verdade o que diz o profeta.
Não é real o que vê o vidente.
Não é digno o que fazes. É indecente.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O amor que tenho, está aqui

Farei uma canção
Pra te falar do meu amor
Pedirei-te perdão
E junto à carta, mandarei uma flor

Mas, meu bem
Não sei tocar violão
Escrever tão pouco
Como farei a tal canção?

Queria ter esse dom
Seguir junto a ti no mesmo tom
Ter o corpo coberto
Pela tinta do teu batom

Mas o teu corpo já não é meu
Teu peito já não bate tão só por mim
O amor que tive, aqui perdi
O amor que tenho, está aqui

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010


Sonhos amanhecidos não acordam, mas também não dormem.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O que vem depois da última noite?

O que vem depois da última noite?
O que vem depois que nossos corpos
Se tocarem pela última vez?

Quem morrerá com o veneno do outro?
Quem se enfeitiçará pelos poderes do outro?

O que será que vem quando o dia amanhece?
O que será que tem além da manhã seguinte?
Qual o desejo que com o sol padece?

Quem morrerá com o veneno do outro?
Quem se enfeitiçará pelos poderes do outro?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Carta ao pai



Te entrego nas mãos Dele
Pra que fiques protegido
Te entrego em Seus braços
Meu pai querido

Quero te lembrar sorrindo
Num cavalo a galopar
Quero te ter pra sempre
Pra meus sonhos, iluminar

Que te pedir perdão
Se um dia te fiz sofrer
Quero ser ninada por ti
E em teu colo adormecer

Pega na minha mão
Quando eu for dormir
Fica ao meu lado
Eu quero te sentir

Segue teu caminho
Que a história está apenas começando
Fica com Deus
Que eu fico aqui rezando

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A dor que não é sua

Só quem sabe
O que é levar um tiro
É quem já levou

Só quem sabe
O que é chorar escondido
É quem já amou

Só quem sabe
O que é se arrepender
É quem já errou

Só quem sabe o que é saudade
É quem já teve alguém
Que o tempo levou

Você não sabe o que eu senti
Pois não foi você quem sentiu
Você não sabe o quanto sofri
Pois não foi você quem sofreu

Eu queria que você me amasse
Eu queria sumir
Eu queria que você soubesse
Mas a dor que não é sua, você não sabe

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As pessoas sempre vão embora

Você me desiludiu
Tirou minhas esperanças
De um mundo normal
Você me desencantou
Me deixou sem moral

Amanha viajarei
Não te direi pra onde
Pra um lugar lindo, eu irei
Parto às onze horas
E não mais voltarei

Amanhã viajarei
Levarei minha mala
E minhas lembranças no trem
As pessoas sempre vão embora
E eu vou também

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A parte que te sobra


Depois de tantos anos te amando
Nada a mim, restou
Depois de te querer tão bem, meu bem
Eu sou o não sou

Eu sou a parte que te sobra
Que sempre te sobrou
Eu sou a parte que você não quis
E que no chão, você largou

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

É fácil ter pulmão



É fácil respirar
Difícil é sentir o ar
É fácil cheirar
Difícil é ter lembranças que só o cheiro dá

Fácil é saber
Difícil é descobrir

É fácil dizer não
Difícil é dizer sim
É fácil ter pulmão
Difícil é ter coração

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu não morrerei

Eu viverei pelos meus livros
Em cada página, eu morarei.
Eu viverei pelos meus contos
Pelas coisas que conto
Em minhas letras, eu reinarei.
Mesmo que morra, não morrerei.
Leia meus livros
Lá, eu estarei.

domingo, 3 de outubro de 2010

Perdão

Perdoa-me por não te amar
Perdoa-me, meu bem
Por não te querer

Perdoa-me se um dia te fiz sofrer

Perdão
Perdão, minha querida
Por não querer você

Perdão
Mil vezes perdão
Mas tenho que te dizer: NÃO

Janela


És tu a janela da minha alma
És tu que eu olho
Além...
Nada

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Todos eles

Com Petrônio eu fiz amor
Com Luiz, melodia
Com Gustavo eu fiz tortura
Com Rubem, fiz poesia

Com Alfredo, fui à lua
Com Bentinho raiava o dia
Com André fiz uma música
Com a gente, ninguém podia

Com Gilvan escrevi um livro
Com Roberto até hoje aprendo
De Rodrigo fui bem amiga
De todos, só você eu lembro

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sofrer é só o início

A poesia mora no silêncio
Como a bebida mora no vício
Amar é só um indício
Sofrer é só o início

Dona Esperança


Dona Esperança se foi
E só com a lembrança
A garota ficou
Ela seguiu caminho bem longo
E da viagem
Jamais voltou
Esqueceu-se de toda bondade
Sem Dona Esperança
A garota findou

sábado, 28 de agosto de 2010

Para Alice


Ela é amor fecundo
É quem me entende
É minha metade
Perdida pelo mundo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Eu voltarei



Não chora não
Um dia eu volto
Olhei ao redor
E vi na parede, sua foto

Lembrei dos velhos tempos
Que ficaram para trás
Eu voltarei
Mesmo tendo prometido não regressar jamais

Olhei-me no espelho
E me achei estranha
Eu fiquei tão diferente
Sem tua manha

Sinto no peito
Uma fraqueza medonha
E a falta do teu colo
Sempre me acompanha

Eu voltarei
Não se preocupe
Estou falando isso
Mas nem sei se você quer

Acredite, meu amor
Minha decisão é pra ti, voltar
Acredite, minha pequena
Eu estou por retornar

Não chora não
O que é da gente não se perde
O que é da gente não se vai
Nada é em vão

Eu voltarei
Um dia eu volto
Prepara minha cama fresca
Que eu amorno

Pode a chuva chegar
Uma bala de canhão
Me atingir sem permissão
Pode o inverno vir

Mas mesmo assim
Eu voltarei
Nada me contém
Ao teu amor serei refém

Hoje estou longe
Mas amanhã é outra história
Sei que voltarei
Será meu dia de glória

Hoje estou longe
Mas vejo a cor do teu olhar
Hoje não vou te ver
Mas nosso dia chegará

Não se aborreça
Eu estou a 10 mil pés
Mas não
Te tiro da cabeça

Não se esqueça
O que é da gente não se perde
O que é da gente não nos trai
Não esqueça

Eu não te tiro da cabeça

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sem Cecília


Foi o fim
Aquela foi a última vez
Mas ela ficou em mim

Quando vi já estava assim
Eu estava perdido
Sem Cecília a junto a mim

Meu peito estava tomado
Pelo amor
Que Cecília havia deixado

Deixei tudo para trás
Por ninguém fui tão fugaz
E Cecília me mandou seguir em paz

Nem precisa dizer nada
Tanto fez
Tanto faz

O que me sensibiliza
É viver por Cecília
Quando Cecília não sabe nem mais quem sou

Cecília está em todo lugar
Ouço ao longe o seu som soar
Sigo correndo, a tentando encontrar

Não sei mais onde ela vive
Eu vivo no mundo tão triste
Em pensar que a perdi no outro dia que a tive

Para Cecília, faço canções
Faço poemas, sonetos
E muito mais

É tão pouco apenas escrever
Eu queria lhe presentear com uma estrela
E dentro dela, a acender

Minha Cecília me fez bem demais
Em pensamentos
Até hoje, Cecília, paz, me traz

Para mim e para o mundo
Nem tão raso
Nem tão fundo

Cadê Cecília?
Por onde anda?
Cadê o cantar que o mundo encanta?

Para Cecília, faço canções
Faço poemas, sonetos
E muito mais

Nem precisa dizer nada
Pra quem tanto fez
Agora tanto faz

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cordas invisíveis



No sobreiro
De um prédio abandonado
Vive um homem
Com sua velha viola sem cordas

Acordam
Os calhordas
Nas praças
E nas obras

Pede uma moeda
E é tratado com desprezo
Por quase todos
Quase

Em sua vida
Cada fase
Foi um atraso
E sua base se destruiu

O talentoso violeiro
Que transformava
Sons em sonho
Caiu em desespero e desistiu

Nunca mais o mundo ouviu
Melodias tão lindas
Como aquele homem
Esculpiu

É triste o mundo novo
Todos querem o violeiro de novo
Eles querem sentimentos audíveis
Todos os amores possíveis

Acordes imaginários
Não dão sustento
Viola de cordas invisíveis
Pro violeiro é um tormento

Um dia ao dar-lhe um tostão
Fiz um pedido ao velho homem
Murmurei em seu ouvido
Que tocasse uma última canção

Coloquei cordas pra ele
E ele então sorriu
O mundo tentou impedir
Mas o som da viola do violeiro não sumiu

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Escandalosa

Maravilhosa
Dançando nua
Na sala da casa

Apetitosa
Tem gosto
De fruta fresca, de amora...

Uma saia jeans
Bem curta
E uma torturante blusa rosa

Venenosa
No teu veneno
Eu posso morrer

Sinuosa
Em suas curvas
Vou me perder

Perigosa
Laçou meu pescoço
E prendeu minhas pernas

Dolorosa
Me mordeu
E deixou marcas em minhas costas

Calorosa
Em teu corpo
Eu viro chama

Capciosa
Você não
Me engana

Gasosa
Sinto as bolhinhas
Na ponta do nariz

Gelatinosa
Afinal,
És feita de que?

Majestosa
Vi uma rainha
Em seu palácio

Acordei
Com gosto
De mel na boca

Maliciosa
Teu corpo
Arde

Luxuosa
És puro
Charme

Escandalosa
Vem
E me invade

domingo, 1 de agosto de 2010

Liberdade


Chegando na Rua da Saudade
Parei em uma porta e perguntei:
- É aqui que mora a Liberdade?

Me deram a triste notícia
Que a Liberdade havia morrido
E que dela, restou apenas a saudade

Fiquei sem entender
Como aquela mulher, que eu pensei ser eterna
Foi deixar se abater pela dor ou pela idade

Eu voltei a perguntar:
- Tem certeza que foi a Liberdade que morreu?
- Tenho sim, meu bom rapaz. Ela, por não ter uso, faleceu

Meu Deus! Pensei eu
O que farei da minha vida
Sem aquela mulher?

Santo Deus! Eu pensei
Sem a Liberdade
Eu também morrerei

Foi na Rua da Saudade
Onde a Liberdade
Me deixou

Foi beirando a insanidade
Que o mundo inteiro ficou